
Salvador registra a quarta maior alta no preço dos imóveis do País
Comprar um imóvel em Salvador ficou mais caro. Segundo o Índice FipeZAP de Venda Residencial, a capital baiana registrou alta de 1,15% nos preços dos imóveis residenciais em maio, alcançando o quarto maior crescimento entre as capitais brasileiras monitoradas pelo levantamento. O percentual ficou atrás apenas de Aracaju (1,88%), João Pessoa (1,46%) e Teresina (1,43%), superando com folga a média nacional, que foi de 0,42%.
De acordo com a pesquisa, a valorização dos imóveis residenciais foi observada em 51 das 56 cidades acompanhadas pelo índice e em 19 das 22 capitais analisadas. Além de Salvador, também registraram crescimento expressivo cidades como Natal (1,01%), Manaus (1,00%), Vitória (0,99%) e Recife (0,76%). Em sentido contrário, apenas Porto Alegre (-0,53%), Belém (-0,40%) e Brasília (-0,05%) apresentaram queda nos preços de venda.
O desempenho reforça o protagonismo de Salvador no mercado imobiliário nordestino. Conforme especialistas do setor, fatores como a escassez de terrenos em áreas consolidadas, a procura por imóveis em regiões valorizadas e a presença de investidores em busca de rentabilidade ajudam a sustentar o avanço dos preços na capital baiana.
A valorização registrada pelo FipeZAP também pode ser percebida em diversos bairros da cidade. Levantamentos recentes do mercado imobiliário mostram que a Barra concentra atualmente o metro quadrado mais caro de Salvador, superando os R$ 12,5 mil. Em seguida aparecem Caminho das Árvores, com cerca de R$ 11,3 mil por metro quadrado, e Ondina, com aproximadamente R$ 10,9 mil. Bairros tradicionais como Rio Vermelho, Graça, Pituba e Imbuí também mantêm valores elevados, impulsionados pela infraestrutura, localização e oferta de serviços.
Segundo analistas do setor, a valorização desses bairros reflete uma combinação de fatores que inclui a limitação de novas áreas para construção, a proximidade com centros comerciais e a busca por regiões consideradas mais estruturadas. Em algumas localidades, a presença de novos empreendimentos e a modernização do estoque imobiliário também contribuíram para o aumento dos preços.
Entretanto, a leitura dos números exige cautela. Embora os indicadores apontem valorização contínua dos imóveis, a realidade encontrada por muitos proprietários é marcada por dificuldades para concretizar vendas.
Segundo o corretor de imóveis George Almeida, existe uma diferença importante entre a valorização observada nos índices e a liquidez do mercado.
“Os imóveis estão mais valorizados, mas isso não significa que estejam sendo vendidos com facilidade. Muitas vezes o imóvel é anunciado por um valor que o
proprietário considera justo, mas o comprador faz uma análise diferente. Ele avalia localização, tamanho, estado de conservação, possibilidade de financiamento e o que realmente cabe no orçamento da família”, afirma.
De acordo com o corretor, parte dessa situação ocorre porque muitos proprietários utilizam referências que nem sempre correspondem ao comportamento efetivo do mercado.
“Há casos em que o imóvel está localizado em uma região valorizada e isso faz o proprietário acreditar que pode pedir um valor mais alto. Em outros casos, o aumento do IPTU ou das avaliações da região acaba influenciando essa percepção. Mas quem determina o preço final é o mercado. Se o comprador não enxergar aquele valor como compatível, a venda simplesmente não acontece”, explica.
A realidade é conhecida pela enfermeira Aurelinda Soares, moradora do bairro de Amaralina. Há anos tentando vender seu apartamento, ela percebeu que existe uma distância entre os valores sugeridos pelo mercado e aquilo que os compradores estão dispostos a pagar.
“Pelas referências que encontro hoje, meu apartamento poderia ser anunciado por cerca de R$ 280 mil. Mas percebi que dificilmente conseguiria vender por esse valor. Reduzi o preço em R$ 15 mil e mesmo assim continuo tendo dificuldade para encontrar comprador”, relata.
Conforme George Almeida, situações como a vivida por Aurelinda têm se tornado mais frequentes em Salvador. Segundo ele, embora os imóveis apresentem valorização nos anúncios e nos indicadores, muitos compradores continuam enfrentando limitações relacionadas à renda e ao crédito imobiliário.
“O comprador está mais seletivo. Ele pesquisa mais, compara mais e negocia mais. Isso faz com que alguns imóveis permaneçam anunciados durante muito tempo, mesmo em bairros considerados valorizados”, observa.
O cenário ajuda a explicar uma das principais contradições do mercado imobiliário atual. Enquanto os índices mostram crescimento dos preços e reforçam a atratividade de Salvador para investidores, proprietários e compradores convivem com um ambiente em que a valorização não significa necessariamente facilidade para fechar negócio.
Segundo o FipeZAP, Salvador segue entre as capitais com maior ritmo de valorização imobiliária do país. Para quem pretende vender, porém, os números representam apenas parte da realidade. Na prática, o desafio continua sendo encontrar um ponto de equilíbrio entre o valor esperado pelo proprietário e aquilo que o mercado está efetivamente disposto a pagar.
Fonte: TRBN

