
Jararacas lideram acidentes com serpentes; estado registra mais de mil casos
A Bahia já registrou 1.228 acidentes com serpentes entre janeiro e maio deste ano. Os dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) mostram que a média é superior a oito ocorrências por dia. Somando os números de 2025 e dos cinco primeiros meses de 2026, foram contabilizados 4.393 acidentes ofídicos em todo o estado.
Entre os municípios com maior número de registros no período aparecem Itabuna, com 183 casos, Jequié, com 145, e Alagoinhas, com 111. Salvador ocupa a 11ª posição no ranking estadual, com 72 ocorrências registradas desde o início de 2025.
Além dos acidentes, os casos também resultaram em mortes. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), 11 pessoas morreram após serem picadas por serpentes no período analisado. Foram nove óbitos em 2025 e dois em 2026. As mortes ocorreram nos municípios de Barra, Barreiras, Camacan, Ilhéus, Jacobina, Santo Antônio de Jesus, Seabra, Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista e Wenceslau Guimarães. Em Salvador não houve registro de morte por acidente ofídico.
“A ocorrência de acidentes está relacionada principalmente a condições ambientais e uso da terra. Período chuvoso, agricultura e desmatamento interferem na dinâmica dos casos e na ocorrência de acidentes na Bahia e no Brasil”, explica a professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Yukari Mise.
A pesquisadora destaca que as regiões sul, extremo sul, litoral e Chapada Diamantina concentram os maiores riscos para acidentes com serpentes.
Na Bahia, quatro grupos de serpentes peçonhentas são encontrados com frequência. Entre eles estão as jararacas, cascavéis, surucucus e corais verdadeiras. Segundo os dados da Sesab, as jararacas são responsáveis pela maior parte das ocorrências registradas.
Foram 2.526 acidentes causados por serpentes do gênero Bothrops, popularmente conhecidas como jararacas. O número representa mais de 57% de todos os casos registrados no período. Em seguida aparecem as cascavéis, com 304 ocorrências, as corais verdadeiras, com 86, e as surucucus, com 25 casos.
“As jararacas estão envolvidas na maior parte dos acidentes notificados na Bahia e no Brasil”, ressalta a professora.
O atendimento rápido é considerado fundamental para evitar complicações e reduzir o risco de morte. Atualmente, 205 unidades de saúde da Bahia mantêm estoque regular de soro antiofídico. Em Salvador, o produto fica centralizado no Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia (Ciatox-BA), que disponibiliza o medicamento para as unidades responsáveis pelo atendimento dos pacientes.
Segundo a Sesab, o estoque atual atende à demanda do estado e a reposição é realizada mensalmente.
Especialistas alertam que algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco de acidentes. O uso de botas ou perneiras, por exemplo, poderia evitar cerca de 75% das picadas, já que a maioria dos ataques ocorre nos pés e pernas.
Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar imediatamente atendimento médico. Medidas populares, como fazer garrote, cortar o local da picada ou tentar sugar o veneno, não são recomendadas.
“A evitação dos acidentes envolvendo serpentes está relacionada a preservar o meio ambiente e manter os terrenos limpos”, diz Yukari Mise.

