
Ministro das Comunicações anuncia avanço do 5G e promete ampliar internet para áreas rurais da Bahia
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou, durante entrevista à CBN Salvador, que o governo federal pretende ampliar a infraestrutura de conectividade no interior da Bahia e em regiões onde o investimento privado ainda não atende plenamente à população.
De acordo com ele, o desafio agora é levar internet de qualidade para áreas rurais, comunidades quilombolas, assentamentos, regiões ribeirinhas e colônias de pescadores. A estratégia combina fibra óptica, redes móveis e soluções via satélite.
“Não existe inclusão social sem inclusão digital no Brasil”, afirmou.
Segundo o ministro, aproximadamente 10,2 mil escolas estaduais e municipais da Bahia já foram conectadas por fibra óptica. A estratégia do governo é começar pelas unidades de ensino e avançar para unidades básicas de saúde e outras estruturas públicas.
Na zona rural, a pasta também aposta em soluções via satélite para localidades onde a implantação de fibra é mais difícil.
Bahia já tem 97 municípios com 5G
Siqueira Filho destacou ainda a expansão da tecnologia 5G no estado. Segundo ele, 97 municípios baianos já contam com cobertura, que alcança cerca de 8,5 milhões de pessoas.
O ministro também citou a expansão do 4G para localidades rurais com mais de 600 habitantes. Ao todo, 155 localidades rurais já receberam a tecnologia, com investimentos superiores a R$ 260 milhões em contrapartidas sociais das operadoras.
Para este ano, a previsão é contemplar outras 38 localidades.
“A gente também está preocupado para levar a conectividade para a zona rural, para as pessoas. A gente sabe a importância disso”, declarou.
Rodovias federais da Bahia terão cobrança por cobertura
Outro ponto destacado pelo ministro foi a inclusão de obrigações de cobertura de telefonia móvel nos últimos leilões de frequência.
Conforme Frederico, o governo estabeleceu como contrapartida a necessidade de ampliar a cobertura nas rodovias federais. Na Bahia, a medida alcança trechos das BR-101, BR-135, BR-116 e BR-242.
A intenção é garantir conectividade ao longo das estradas, com impacto também sobre a logística e a segurança pública.
“A gente colocou como uma das contrapartidas aqui na Bahia a obrigatoriedade de cobrir 100% das rodovias federais”, afirmou.
O ministro ressaltou que a expansão depende tanto das grandes operadoras quanto de empresas regionais e provedores de internet.
Para financiar parte desse processo, o governo também utiliza recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e linhas de financiamento em parceria com o BNDES.
Quase 1 milhão de kits de parabólica
Siqueira Filho também apresentou números do programa de substituição das antigas antenas parabólicas, que precisaram ser trocadas em razão da mudança das faixas de frequência.
De acordo com ele, quase 1 milhão de kits de antenas parabólicas foram distribuídos na Bahia nos últimos três anos e meio.
A medida, segundo o ministro, tem o objetivo de preservar o acesso à televisão aberta e garantir que famílias de diferentes regiões continuem recebendo o sinal gratuitamente.
Mais de 4 mil computadores recondicionados
Outra frente citada pelo ministro foi o programa Computadores para Inclusão, que reaproveita equipamentos que seriam descartados.
Os computadores passam por centros de recondicionamento e depois são destinados a comunidades e pontos de inclusão digital.
Na Bahia, segundo Frederico, mais de 4 mil computadores já foram distribuídos para mais de 500 pontos de inclusão digital.
“Ao invés de jogar no lixo, isso entra nos centros de recondicionamento de computadores”, explicou.
O programa também oferece capacitação em áreas como manutenção de computadores, robótica, games, design e segurança digital.
O ministro citou ainda o programa Carreta Digital, que leva cursos de capacitação para diferentes municípios.
Cirurgia a 2,6 mil quilômetros mostra potencial da tecnologia
Durante a entrevista, Frederico de Siqueira Filho utilizou um caso de cirurgia robótica para ilustrar o potencial da infraestrutura digital.
Ele contou que um médico localizado em Barretos, em São Paulo, conseguiu operar remotamente um paciente que estava em Porto Velho, em Rondônia, a aproximadamente 2,6 mil quilômetros de distância.
A operação foi possível, segundo o ministro, graças a uma conexão específica entre os dois pontos, com baixa latência e estabilidade suficiente para permitir o controle remoto do equipamento.
“Ele estava operando o robô aqui e fazendo a cirurgia a 2.600 quilômetros”, relatou.
Para Frederico, a mesma lógica pode ser aplicada à saúde, educação e segurança pública, especialmente em municípios do interior que enfrentam dificuldade para contratar profissionais especializados.
Ele citou a possibilidade de ampliar serviços de telemedicina e educação a distância.
“Hoje a gente sabe que no interior do Brasil a gente tem dificuldade de encontrar especialista”, afirmou.
TV 3.0 pode chegar à Bahia nos próximos meses
Questionado sobre a implantação da TV 3.0, também chamada de DTV+, na Bahia, o ministro não estimou uma data-limite definida para a transição.
Segundo Frederico, as emissoras precisam realizar investimentos em seus transmissores e a velocidade de implantação dependerá do interesse de cada empresa.
“Isso vai depender muito do interesse das emissoras da Bahia”, explicou.
O ministro, porém, acredita que as emissoras baianas devem começar a se movimentar nos próximos meses.
A nova tecnologia permitirá uma televisão aberta mais integrada à internet e com recursos interativos. Entre as possibilidades está o acesso a serviços públicos diretamente pela televisão.
Conforme o titular da pasta, o usuário poderá, por exemplo, acessar conteúdos educacionais, serviços do Gov.br, informações de saúde e até realizar determinadas solicitações sem sair da tela da TV.
“Você está assistindo TV e você consegue repartir a tela da própria televisão e poder estar acessando os serviços do governo do Brasil”, afirmou.
O governo federal também conseguiu aprovar, segundo o ministro, US$ 500 milhões junto ao BID, operados pelo BNDES, para apoiar a modernização tecnológica da televisão aberta.
Rádio continuará relevante, diz ministro
Apaixonado pelo rádio, Frederico afirmou que o meio de comunicação continuará tendo espaço mesmo diante do avanço das plataformas digitais.
Para ele, a capacidade de adaptação do rádio é justamente uma de suas maiores forças.
“A gente defende uma rádio forte”, declarou.
O ministro defendeu novas concessões e uma radiodifusão cada vez mais integrada à internet, em modelo semelhante ao que está sendo planejado para a TV 3.0.
Na avaliação dele, a digitalização pode aumentar a atratividade das emissoras para o público e também para o mercado publicitário.
“A gente também pensa uma rádio conectada à internet para gerar mais atratividade para a população”, afirmou.
Frederico também destacou o papel das emissoras locais, especialmente no interior do país.
“A rádio conhece a particularidade e a peculiaridade dos municípios, das regiões e vive o cotidiano dessas localidades”, disse.
Inteligência artificial deve ser usada para melhorar serviços públicos
O ministro também defendeu o uso da inteligência artificial para aumentar a eficiência de políticas públicas e combater problemas como as chamadas fake news produzidas com ferramentas de IA.
Conforme Siqueira Filho, o Brasil precisa utilizar os dados públicos de maneira estratégica, mas preservando a segurança e a soberania digital.
Na saúde, por exemplo, ele defendeu o uso dos dados históricos do SUS para identificar regiões com maior incidência de determinadas doenças e antecipar políticas de prevenção.
No agronegócio, a tecnologia poderia ajudar a analisar dados e aumentar a produtividade.
“O nosso propósito é colocar mais tecnologia à disposição das pessoas”, afirmou.
Para ele, o Brasil precisará ampliar a infraestrutura de data centers, redes de transmissão e sistemas de segurança para acompanhar o crescimento do volume de dados.
“A gente passa por uma grande revolução digital”, declarou.
Ministro alerta para o risco do analfabetismo digital
Frederico também chamou atenção para um problema que tende a ganhar importância nos próximos anos: a falta de conhecimento para utilizar as ferramentas digitais.
Além de conectar pessoas e instituições, o governo precisa garantir capacitação.
“Não só dotar de infraestrutura, mas também de qualificação, de capacitação daquele cidadão”, afirmou.
Ele destacou que o Plano Nacional de Inclusão Digital prevê ações de letramento digital.
Na avaliação do ministro, não basta uma comunidade receber internet se seus moradores não têm computador, celular ou conhecimento para utilizar os serviços disponíveis.
Governo quer transformar “Brasil conectado” em “Brasil digital”
Na parte final da entrevista, Frederico afirmou que o objetivo do Ministério das Comunicações é avançar de uma política de expansão da conectividade para uma transformação mais ampla da sociedade.
Ele citou projetos como as Infovias do Norte Conectado, que preveem a implantação de milhares de quilômetros de fibra óptica na região amazônica, além de programas de conectividade de escolas, unidades de saúde e rodovias.
Na Bahia, o ministro também destacou ações relacionadas ao Brasil Digital, à implantação de canais de TV, à conectividade de escolas e aos investimentos federais em infraestrutura.
“Deixar de ser um Brasil conectado para ser um Brasil digital. Mais tecnologia à disposição da vida das pessoas”, afirmou.
Na avaliação de Frederico de Siqueira Filho, a transformação digital precisa estar integrada às demais políticas públicas do governo federal, com impacto em áreas como saúde, educação, habitação, segurança e assistência social.

