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Indígenas baianos articulam ida à Brasília contra o marco temporal Entidades tentam pressionar Congresso para manter veto de Lula ao PL 2903

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

“Parentes, no dia 09 de novembro o destino dos nossos povos indígenas estará em jogo.

O Congresso Nacional decidirá se aceitará ou anulará os vetos do presidente Lula para o PL 2903, que regulamenta o Marco Temporal. A luta continua e precisamos da sua voz!”.

Com este apelo inicial o Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba) está conclamando todos os grupos “das aldeias e cidades a se unirem na mobilização nacional.

Pedimos ao Congresso que mantenha os vetos do presidente, pois são cruciais para a proteção dos direitos indígenas”, destaca a mensagem.

Ontem aconteceu uma reunião virtual com os movimentos pró-indígenas e contra o Marco Temporal

para articular as ações em todo território nacional.

Na oportunidade a Bahia foi representada pela segunda coordenadora geral do Mupoiba, Patrícia Pankararé, da comunidade radicada no município de Glória, ribeirinho do São Francisco.

O Estado tem uma população 229 mil indígenas de acordo com o Censo do IBGE/2022.

O número deixa a Bahia atrás apenas do estado do Amazonas com cerca de 500 mil pessoas.

A perspectiva para a análise do veto amanhã é reunir novamente povos originários de todo o País em Brasília e nos seus respectivos estados para manifestações pacíficas, de acordo com a pedagoga e liderança feminina indígena.

“Precisamos mostrar nossa força e indignação,

diante tanto sofrimento nos mais de 500 anos de perseguição em que não temos paz”, enfatizou.

Ela afirmou que na Bahia devem acontecer manifestações nas aldeias e em estradas, principalmente nas regiões onde têm o maior número de Territórios Indígenas (TI).  “Estamos com grande expectativa e com muita torcida para que todos os vetos sejam respeitados”, afirmou.

“Os nossos territórios devem ser mantidos com nosso povo, pela manutenção da vida.

Porque nós conservamos as florestas e as águas.

Lutamos pela continuidade da nossa existência, com o nosso modo de viver”, desabafou, citando que as três maiores etnias do estado são Pataxó, Tupinambá e Pankararé.

Estão em avaliação por parte do congresso 19 artigos vetados na integridade e cinco que tiveram veto parcial por parte do presidente.

Vale destacar que os trechos vetados já foram considerados inconstitucionais conforme a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), quando julgou a tese do Marco Temporal.

“Se o congresso não aceitar os vetos, o Marco Temporal,

o racismo contra povos indígenas, a plantação de transgênicos em terras indígenas e o contato forçado com povos isolados podem se tornar lei”, alerta a mensagem do Mupoiba, ao chamar os parentes para mais esta luta.

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