
Comércio ilegal de canetas emagrecedoras: um desafio à segurança e saúde em Salvador
Foto: Receita Federal/Divulgação
Nos últimos meses, temos nos deparado com um crime até então pouco comum na capital baiana: o roubo a farmácias em busca de um medicamento específico: as canetas injetáveis amplamente utilizadas para emagrecimento. O prejuízo já ultrapassa os R$2 milhões, enquanto o comércio irregular desses produtos põe em risco não apenas a segurança, mas também a saúde da população.
De acordo com especialistas, o aumento dos casos de contrabando e roubos de canetas emagrecedoras em Salvador evidencia a consolidação de um mercado paralelo que, além de movimentar milhões ilegalmente, coloca em risco a saúde pública, uma vez que, além de serem produtos de uso controlado, vendidos somente com prescrição médica e dosagem individualizada, o armazenamento e o transporte das canetas exigem cuidados específicos: caixas térmicas apropriadas, embalagens para cada tipo de substância e dispositivos que monitoram a temperatura em tempo real.
Dados recentes da Polícia Civil e da Receita Federal mostram uma sequência de ações criminosas bem articuladas e voltadas exclusivamente para a subtração desses medicamentos, principalmente Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Synedica Retatrutide.
Em março deste ano, a Receita Federal apreendeu 100 canetas do medicamento Mounjaro no Aeroporto Internacional de Salvador. O material estava escondido sob a roupa de um passageiro de 22 anos.
Já no dia 4 de junho, outro caso emblemático: uma passageira de 31 anos foi detida no mesmo aeroporto com 90 canetas injetáveis presas ao corpo, avaliadas em cerca de R$ 400 mil. Ela havia embarcado em Madri e tinha como destino final a cidade de Fortaleza. A operação foi resultado de um monitoramento da Receita Federal, que já acompanhava os movimentos da suspeita.

