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Bahia tem quase 5 milhões de inadimplentes

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

Orçamento curto, contas atrasadas e nome negativado. Essa é a realidade de quase metade da população adulta da Bahia, onde 4,9 milhões de pessoas estão inadimplentes, segundo os últimos dados da Serasa Experian. O índice equivale a 43,4% dos baianos com mais de 18 anos e revela um cenário de endividamento que se espalha por todas as faixas de renda, atingindo principalmente trabalhadores informais e famílias chefiadas por mulheres.

A cada dez baianos com renda formal, sete já comprometem mais da metade do salário com dívidas. De acordo com o levantamento, 74,1% da renda média no estado é destinada a quitar contas e empréstimos — percentual superior à média nacional, que é de 71,2%. As dívidas se concentram em bancos e cartões de crédito (31,29%), financeiras (21,72%), comércio varejista (15,4%) e contas básicas de água, luz e gás (13,27%), revelando que boa parte dos débitos não decorre de consumo supérfluo, mas de necessidades essenciais.

Os números expõem uma realidade cada vez mais presente nas famílias de baixa renda: o orçamento estrangulado, o nome negativado e a dificuldade em recomeçar o ano com as contas em dia. Diante desse cenário, o Mutirão de Negociação e Orientação Financeira, que será realizado em novembro, surge como uma oportunidade concreta para quem busca aliviar o peso das dívidas e começar 2026 com o nome limpo — especialmente porque as modalidades de crédito mais comuns, como cartão, cheque especial e empréstimos pessoais, têm as maiores taxas de juros do mercado.

Em muitos casos, o consumidor acaba pagando duas ou três vezes o valor original do débito apenas em encargos. Conforme a Serasa, o problema é agravado pela estagnação salarial e pelo custo de vida em alta — principalmente nos alimentos, energia e transporte.

Conforme a Serasa Experian, o perfil do endividado baiano é majoritariamente formado por mulheres chefes de família e trabalhadores entre 30 e 49 anos, muitos deles autônomos. Os valores médios das dívidas variam entre R$ 1,2 mil e R$ 5 mil, mas o impacto psicológico é muito maior. A inadimplência restringe o acesso ao crédito, afeta o aluguel de imóveis e até a busca por emprego, já que muitas empresas consultam o histórico financeiro antes da contratação.

Fonte TRB

 

 

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