
Bahia descarta casos de intoxicação por metanol e reforça vigilância
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
A Bahia descartou os dois casos suspeitos de intoxicação por metanol registrados no estado e instalou uma sala de situação permanente para monitorar e prevenir novas ocorrências de bebidas adulteradas. As informações foram anunciadas pela secretária da Saúde, Roberta Santana, durante reunião emergencial realizada na sede da Sesab, no CAB, na manhã de ontem, com a presença de representantes da Segurança Pública, Justiça, Ministério da Agricultura, Procon-BA e órgãos de vigilância sanitária.
A medida, que ocorre em meio ao alerta nacional provocado por mortes associadas ao consumo de bebidas contaminadas com metanol, tem como objetivo garantir resposta rápida, atendimento clínico adequado e fiscalização rigorosa em todo o território baiano. Durante o encontro, foram definidos protocolos unificados de vigilância e anunciado o reforço do estoque de antídotos, com a chegada de 90 ampolas de etanol farmacêutico enviadas pelo Ministério da Saúde ao estado.
Os dois episódios que acenderam o sinal de alerta na Bahia foram esclarecidos após análises laboratoriais e perícias do Departamento de Polícia Técnica (DPT). O primeiro envolvia um óbito em Feira de Santana, mas o laudo pericial descartou a presença de metanol. O segundo, em Salvador, referia-se a uma mulher de 23 anos atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), cujo exame também apresentou resultado negativo.
De acordo com a Sesab, a investigação confirmou que as bebidas consumidas eram de procedência regular, e a paciente apresentou melhora clínica significativa, sem sinais de acidose metabólica — um dos principais indicativos de intoxicação por metanol.
A reunião contou com a participação do secretário da Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, do superintendente de Agricultura e Pecuária do Ministério da Agricultura (MAPA), Fábio Rodrigues, e de representantes do DPT, Polícia Civil, Procon-BA, Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems-BA), Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-BA) e Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-BA). O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, participou virtualmente.
Durante o encontro, foram definidos novos protocolos e medidas preventivas, com foco na comunicação entre hospitais, laboratórios e órgãos de fiscalização, para que eventuais casos suspeitos sejam detectados e tratados de forma imediata.
Antídoto pode exigir até 30 ampolas por tratamento
Como parte da estratégia de preparação e resposta, o Ministério da Saúde enviou à Bahia 90 ampolas de etanol farmacêutico, armazenadas no almoxarifado central da Sesab, em Salvador. O produto é utilizado como antídoto em casos confirmados de intoxicação por metanol e reforça o estoque preventivo do estado.
Cada tratamento pode exigir até 30 ampolas, o que torna o envio um recurso estratégico diante da gravidade dos casos clínicos. Em situações severas, além da administração do antídoto, os pacientes podem precisar de hemodiálise para acelerar a eliminação da substância do organismo.

