ÚltimasPolítica

Apoiador de Aleluia, Randerson Leal cobra espaço para oposição na Mesa Diretora da Câmara de Salvador

O líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador, Randerson Leal (Podemos), confirmou que parte da bancada decidiu apoiar a candidatura de Alexandre Aleluia (Novo) à presidência da Casa. A votação foi definida para a próxima segunda-feira (9).

Em entrevista à Metropolitana FM, o parlamentar explicou que a decisão de liberar os vereadores para construir individualmente o apoio foi tomada depois de aproximadamente 20 dias de reuniões e conversas com os postulantes ao comando do Legislativo.

De acordo com o chefe da minoria, a estratégia inicial era lançar uma candidatura própria da ala, desde que houvesse dois nomes competitivos na base do prefeito Bruno Reis (União Brasil). O grupo, que reúne dez vereadores, avaliava que poderia aproveitar uma eventual divisão entre os governistas para influenciar diretamente o resultado da eleição.

“O primeiro intuito nosso era colocar um nome à disposição para ser candidato. E eu sempre falei isso na imprensa, desde que tivesse duas candidaturas da base da prefeitura”, explicou.

A oposição chegou a conversar com o atual presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), além de Aleluia. De acordo com Randerson, os dois foram ouvidos sobre as reivindicações do grupo, que envolvem principalmente o funcionamento institucional da Casa e a participação dos vereadores nas decisões legislativas.

O cenário mudou depois que Muniz não conseguiu uma decisão judicial favorável à possibilidade de disputar novamente a presidência. Com o apoio da maioria dos vereadores a Aleluia, a oposição passou a discutir uma nova estratégia para preservar espaços políticos e garantir condições de atuação parlamentar.

Compromisso envolve Mesa Diretora e comissões

Randerson afirmou que a bancada apresentou a Aleluia uma série de compromissos para apoiar sua candidatura. Entre as principais reivindicações estão o cumprimento rigoroso do regimento interno, a ampliação do protagonismo dos projetos apresentados pelos vereadores e uma distribuição mais proporcional das vagas nas comissões temáticas.

“A cadeira de presidente é institucional. Ela tem que estar lá defendendo a Câmara Municipal”, afirmou.

O vereador também defendeu que as propostas apresentadas pelos parlamentares tenham prioridade na pauta, independentemente de serem integrantes da oposição ou da base governista.

“Temos que votar os projetos do Executivo? Temos. Mas temos que privilegiar ou priorizar os projetos dos vereadores”, pontuou.

A bancada da minoria também reivindica a manutenção dos espaços que já ocupa nas comissões permanentes e a ampliação de sua participação na estrutura administrativa da Câmara, incluindo uma vaga considerada estratégica na Mesa Diretora.

Questionado sobre o compromisso de Aleluia com a concessão de espaço na direção da Casa, Randerson confirmou que o assunto foi discutido diretamente com o candidato.

“Ele se comprometeu em conceder isso”, afirmou, ao confirmar que a reivindicação foi apresentada durante uma conversa com a bancada completa.

O vereador ressaltou, entretanto, que a efetivação dos compromissos dependerá das articulações que ainda serão realizadas até a eleição.

PT, PSB e PCdoB ainda discutem posição

A decisão de liberar a bancada não significa, necessariamente, que todos os dez vereadores oposicionistas apoiarão Aleluia. Segundo Randerson, Podemos, PSD e MDB decidiram construir o apoio ao candidato com seus respectivos parlamentares, enquanto PT, PSB e PCdoB ainda discutem a posição de seus representantes.

Entre os vereadores que ainda avaliavam a decisão estão Marta Rodrigues (PT), Silvio Humberto (PSB), Aladilce Souza (PCdoB) e Hélio Ferreira (PCdoB).

Randerson afirmou que conversou individualmente com os colegas antes de anunciar a liberação da bancada e reconheceu que alguns parlamentares poderiam preferir manter uma posição de resistência à candidatura de Aleluia.

O líder oposicionista disse respeitar as estratégias partidárias, mas defendeu que o diálogo seja mantido mesmo diante das divergências políticas.

“Eu sempre fui um cara republicano, defensor da democracia, defensor do diálogo. Eu converso com todos”, declarou.

Ele também ponderou que a oposição precisa preservar sua capacidade de atuação dentro da Câmara, independentemente de quem ocupe a presidência.

“Não é porque a eleição vai acontecer que acabou o mundo. Nós temos que, pelo menos, segurar o que nós temos hoje para o bem da oposição, para o bem da democracia”, afirmou.

Randerson elogia gestão de Carlos Muniz

Ao explicar a decisão de negociar com os candidatos à sucessão, Randerson fez uma avaliação positiva da condução de Carlos Muniz à frente da Câmara. Para ele, o atual presidente manteve uma relação de diálogo com a oposição e respeitou os procedimentos regimentais mesmo em votações de projetos considerados delicados.

O vereador afirmou que a postura institucional do tucano foi um dos pontos considerados pela bancada durante as conversas sobre a sucessão.

“O presidente Carlos Muniz foi um cara muito legalista, muito regimentalista. Tudo que foi feito na Câmara Municipal, ele sempre conversava com a bancada de oposição”, destacou.

Randerson também criticou manifestações de parlamentares que sugeriram a possibilidade de a maioria governista impor decisões à oposição sem negociação. Para ele, esse tipo de comportamento não combina com o funcionamento democrático do Legislativo.

Faixa azul e projetos aprovados

Durante a entrevista, Randerson também fez um balanço de sua atuação parlamentar e destacou a aprovação de mais de seis projetos de sua autoria que se transformaram em leis municipais.

Entre as iniciativas citadas está a legislação que instituiu a faixa exclusiva para motociclistas, conhecida como Faixa Azul. Segundo o vereador, dados referentes ao período entre março de 2025 e março de 2026 apontaram redução de 60% nos acidentes com motociclistas na Avenida Bonocô, além de nenhum registro de morte relacionado a esse tipo de ocorrência no período mencionado.

O parlamentar também citou a Lei Municipal 9.883, que estabelece penalidades administrativas e pecuniárias para quem agredir motoboys e motoentregadores durante o exercício profissional, além de uma legislação que determina o horário de início das sessões de filmes nos cinemas de Salvador.

Outro projeto aprovado prevê alimentação para ambulantes que trabalham durante o Carnaval, com café da manhã, almoço, lanche e jantar. A iniciativa começou a ser implementada pela Prefeitura em 2026, mas, conforme Randerson, ainda não atende integralmente ao público previsto.

O vereador também anunciou novas propostas, entre elas a isenção da taxa de estacionamento em shopping centers para consumidores que adquirirem produtos ou serviços com valor pelo menos cinco vezes superior ao cobrado pelo estacionamento.

Outra iniciativa pretende proibir a cobrança de estacionamento e a instalação de cancelas em áreas de emergência e urgência de hospitais públicos e privados. Randerson também defendeu a ampliação do tempo de tolerância para embarque e desembarque na rodoviária de Salvador.

Fonte: Blog do Vila

BAI » Gnews Bahia

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *