
“BC tem muita reserva e vai atuar quando for necessário”, diz Campos Neto
Por Correio Braziliense
Ao comentar sobre as intervenções no mercado de câmbio, ontem, e fazer balanço da gestão, Roberto Campos Neto reforça que leilões do Banco Central ocorrem por conta da “disfuncionalidade do fluxo cambial” e não por aumento dos prêmios de risco pelos agentes financeiros
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fez um balanço da gestão à frente da autoridade monetária, ontem, e admitiu que a intervenção no câmbio da instituição foi resultado do comportamento atípico do fluxo de moeda estrangeira, e garantiu que o câmbio continua flutuante e que “o BC tem muita reserva (cambial) e vai atuar quando for necessário”.
“Nós entendemos que começou a ter uma saída atípica (de dólares) no fim do ano. A parte de dividendos paga pelas empresas estava acima da média. A gente começou a perceber que o fluxo financeiro estava bastante negativo”, afirmou Campos Neto, aos jornalistas, durante a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), ao lado do futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, em que a autoridade monetária elevou as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação.
Ao justificar os leilões realizados ontem, Campos Neto afirmou que o BC começou a ver uma saída maior de pessoas físicas e de volume menores de operações, o que justificou a nova intervenção no câmbio na segunda série. “A gente vai continuar monitorando o fluxo e a gente entende que nesse período que o fluxo é acima da média, o BC vai atuar da forma como está atuando”, afirmou. Ele disse que a intervenção atual não tem a ver com o risco de dominância fiscal e o BC não busca um patamar para o dólar. “Não fazemos projeções de câmbio”, frisou.
Intervenções
O presidente do BC reforçou que as intervenções recentes no mercado de câmbio à vista estão em uma interpretação que está ocorrendo para combater as disfuncionalidades do mercado. Ele reforçou que atuação histórica da autoridade monetária mostra uma reação da disfuncionalidade no fluxo e não porque houve piora dos prêmios de risco. “A nossa função é reorganizar o rumo”, disse.
Apesar das intervenções do BC no mercado ontem, o dólar comercial continuava a registrar alta e chegou a ser negociado a R$ 6,32, e, após a fala de Campos Neto, recuou para R$ 6,14.
Galípolo e Campos Neto negaram a possibilidade de uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) por conta da forte desvalorização do câmbio. “A gente deu um passo claro e transparente de colocar a taxa de juros num patamar restritivo. A gente está caminhando nessa direção”, afirmou.

