
Salvador se agita com chegada de turistas
Foto: Romildo de Jesus
A primeira capital do Brasil está no auge: suas belezas naturais, sua cultura, sua gastronomia e seu rico patrimônio histórico cada vez mais ganham visibilidade pelo Brasil, chamando atenção dos viajantes e colocando a cidade em destaque entre os principais roteiros turísticos.
Há menos de uma semana para o início do verão, estação que chega no próximo domingo (22), a movimentação turística pela capital baiana já é grande. De acordo com a Prefeitura de Salvador, este ano, a temporada de verão deve superar o número de visitantes de 2020, com expectativa de 3,4 milhões de visitantes entre dezembro deste ano e março de 2025. Os dados são do Observatório do Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult).
A efervescência cultural da cidade não é de hoje: há alguns anos, Salvador vem sendo apontada como um dos destinos mais procurados do país para o ano de 2025, ficando à frente de cidades como Rio de Janeiro, por exemplo, a ‘cidade maravilhosa’ que por muitos anos foi o chamariz do Brasil para o mundo.
Segundo o titular da Secult, Pedro Tourinho, a grande expectativa de turistas é fruto de um trabalho em conjunto da gestão para potencializar a atividade turística da cidade. “A expectativa do turismo em nossa cidade ultrapassar os números pré-pandemia, além de ser um marco simbólico, representa também a certeza de que estamos no trabalhando na direção certo”, afirmou.
Motivos – Obviamente que a atuação da secretaria pode ajudar, mas é inegável que a cidade tem seu talento por conta própria: são belezas naturais misturadas às belezas arquitetônicas, históricas e à uma vasta religiosidade que formam uma paisagem e espelham uma energia peculiar e impressionante até mesmo para aqueles que viajam o mundo inteiro.
Salvador tem uma das maiores orlas do país, com 50 quilômetros de litoral e 20 praias, boa parte delas abraçadas pela Baía de Todos os Santos, considerada a segunda maior baía do planeta, atrás apenas do Golfo de Bengala, no Oceano Índico.
Somado a isso, possui um conjunto urbanístico e arquitetônico contido na poligonal do centro histórico que é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Tem em sua raiz a negritude e as religiões de matriz africana, tornando-se um verdadeiro caldeirão histórico-cultural sem igual no mundo. È a cidade com a maior quantidade de pessoas negras fora da África, de onde vieram milhares de pessoas escravizadas.
Um ponto turístico para cada dia do ano
Farol da Barra, Farol de Itapuã, Ponta de Humaitá, Pelourinho, Praça da Sé, São Tomé de Paripe, Ilha de Maré, Ribeira, Basílica do Senhor Bonfim, Igreja de São Francisco de Assis Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Casa do Rio Vermelho, Museu de Arte Sacra, Palácio da Aclamação, Solar do Unhão, Porto da Barra, Santo Antônio Além do Carmo…
São tantos os pontos turísticos na capital baiana que o turismólogo Eduardo Santana, acostumado a guiar turistas pelo Centro Histórico, costuma até brincar.
“Aqui dizem que Salvador tem 365 igrejas, uma para cada dia do ano. Eu também digo que é preciso um ano inteirinho para conhecer todos os pontos turísticos de Salvador. E tudo isso revezando o turno do dia, pois ainda tem aqueles lugares que não são turísticos e merecem ser conhecidos para se ter de fato a experiência soteropolitana. Salvador não é só uma cidade, é uma experiência antropológica”, afirma.
Comida e religião em Salvador andam de mãos dadas
Quem visita Salvador sempre quer fazer um roteiro gastronômico, justamente por saber que existem sabores que só são encontrados na capital baiana. È o caso do famoso caruru acompanhado do vatapá, do feijão fradinho, da farofa com dendê e do xinxim de galinha – tudo na base do dendê e do camarão seco.
A gastronomia na Bahia, e principalmente em Salvador, tem sabor especial: vem com muita religiosidade no tempero. A religião católica, que chegou junto com os colonizadores, misturou-se com o passar dos anos com as crenças indígenas e com as religiões de matrizes africanas, fazendo de Salvador este grande caldeirão histórico-cultural em todos os sentidos, inclusive na gastronomia.
Fonte: Hieros Vasconcelos/Trbn

