
PF flagrou R$ 1,5 milhão de propina em jatinho de Salvador para Brasília
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Agência Brasil
A Polícia Federal flagrou uma tentativa de pagamento de propina com recursos transportados em avião de Salvador até a capital federal. Deflagrada na terça-feira, 10, a operação Overclean começou com uma “ação controlada” uma semana antes que levou a apreensão de R$ 1,5 milhão.
Na terça-feira, 03, agentes da PF seguiram o empresário Alex Rezende Parente e o ex-coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) na Bahia, Lucas Lobão. Os policiais monitoraram a dupla desde o hangar em Salvador (BA) até o desembarque em Brasília, em um jatinho Learjet. Os dois transportavam R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, que segundo a Polícia Federal era destinado ao pagamento de propina na capital federal. A defesa dos investigados ainda não se manifestou.
A operação Overclean foi deflagrada por uma força-tarefa conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), com cooperação da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security Investigations). Segundo as autoridades, o grupo criminoso, formado por políticos e empresários, movimentou R$ 1,4 bilhão e se dedicava a desviar verbas públicas de contratos de engenharia, inclusive de emendas parlamentares.
A ação controlada foi autorizada pelo juiz federal Fábio Moreira Ramiro, da Justiça Federal na Bahia, e realizada por agentes do Setor de Inteligência da Polícia Federal na Bahia (SIP/BA).
“A operação foi motivada por suspeitas de práticas ilícitas, envolvendo o transporte de valores em espécie de Salvador/BA para Brasília/DF, em uma aeronave privada, incluindo a possível vinculação dos montantes ao pagamento de propinas a servidores públicos em Brasília, conforme depoimentos e evidências obtidas por ocasião da abordagem no aeroporto de Brasília. A ação resultou na apreensão de aproximadamente R$ 1.538.700,00 e revelou indícios de envolvimento de Marcos Moura, apontado como o mentor da organização criminosa responsável pelo esquema”, diz um trecho do relatório da PF.
Além dos R$ 1,5 milhão em espécie, os policiais federais baianos também encontraram no avião uma planilha “contendo relação de contratos e valores, com menção a ‘MM’ (possível referência a MARCOS MOURA), totalizando mais de R$ 200 milhões em contratos suspeitos no Rio de Janeiro e Amapá”. Não há mais detalhes sobre esta planilha na decisão judicial à qual o Estadão teve acesso.
De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação Overclean, a quadrilha era chefiada pelo empresário Alex Rezende Parente. O irmão dele, Fábio, e o ex-coordenador do Dnocs na Bahia, Lucas Maciel Lobão Vieira, integravam o “núcleo central” do grupo, segundo as investigações da Polícia Federal.
De acordo com a corporação, Alex era o responsável por coordenar as fraudes a licitações e negociar com os servidores públicos o pagamento de propinas. Já Fábio Rezende Parente agiria como o braço financeiro do grupo, cuidando da transferência dos recursos.
Lucas Lobão agia dentro do DNOCS para favorecer a contratação da empresa Allpha Pavimentações, de propriedade de Alex e Fábio. Ele deixou o Dnocs em setembro de 2021, depois que uma auditoria da CGU na Bahia apontou sobrepreço de quase R$ 200 milhões na compra de 470 caixas d’água. Mesmo depois de demitido, Lucas Lobão “passou a trabalhar, informalmente, com a empresa Allpha Pavimentações, visando facilitar/intermediar os pleitos da referida junto ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas na Bahia”, diz um trecho da decisão judicial.

