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Salvador amplia horizontes e consolida turismo durante todo o ano

O Centro Histórico, os restaurantes cheios, e os hotéis cada vez mais ocupados são sinais de uma transformação silenciosa que vem reposicionando Salvador no mapa do turismo nacional e internacional. Se antes a capital baiana era associada quase exclusivamente ao verão e ao Carnaval, hoje a cidade se apresenta ao mundo como um destino de experiências permanentes, capaz de atrair visitantes em diferentes épocas do ano e por diversos motivos.

 

Foi justamente para discutir esse novo cenário que representantes da plataforma de viagens Decolar, empresários do setor hoteleiro e integrantes do poder público se reuniram na última quarta-feira (20), no Arquivo Público Municipal, no Comércio. O encontro apresentou dados de mercado, tendências de comportamento dos viajantes e perspectivas para o turismo baiano, setor que segue em expansão e ocupa posição estratégica na economia local.

Mais do que números, a reunião revelou uma percepção compartilhada entre empresários e gestores: Salvador deixou de ser apenas um destino sazonal para se tornar uma das principais portas de entrada para o Nordeste brasileiro. Cidade de mar e história, de fé e ancestralidade, de música e gastronomia, a capital reúne atributos capazes de dialogar com diferentes perfis de turistas. Da contemplação da Baía de Todos-os-Santos às experiências culturais ligadas à herança afro-brasileira, passando pelo turismo náutico, esportivo, gastronômico e de negócios, o destino ampliou seu leque de atrativos.

O Diretor de Turismo de Salvador, Gegê Magalhães destaca que o fortalecimento do setor tem impacto direto na geração de emprego e renda. Segundo ele, a cidade compreendeu que turismo vai muito além de receber visitantes. A atividade movimenta hotéis, bares, restaurantes, empresas de transporte, receptivos, ambulantes, artesãos, artistas e empreendedores da economia criativa.

Os indicadores ajudam a explicar esse movimento. Apenas no primeiro trimestre de 2025, Salvador recebeu aproximadamente 2,6 milhões de turistas, crescimento de 7,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A estimativa é de que o turismo tenha movimentado cerca de R$ 20 bilhões na economia da capital. Para Gegê, parte desse resultado está ligada à descentralização das ações turísticas e culturais, que passaram a alcançar diferentes bairros da cidade, levando visitantes e oportunidades para além dos circuitos tradicionais.

A estratégia também passa pela promoção nacional e internacional do destino. De acordo com o gestor, Salvador tem ampliado a conectividade aérea e fortalecido parcerias com companhias aéreas, operadoras de turismo e plataformas digitais. Ao mesmo tempo, investe na qualificação da experiência turística, na requalificação de espaços culturais e na valorização de elementos que tornam a cidade única.

“Nossa força está na autenticidade. Cultura afro-brasileira, gastronomia, música, fé, patrimônio histórico e experiências que não existem em nenhum outro lugar”, resume.

Os resultados aparecem na ocupação hoteleira. Salvador registrou em 2025 a melhor média dos últimos 15 anos, superando 66% de ocupação. O turismo internacional também avançou de forma expressiva na Bahia, com crescimento superior a 47%, consolidando a retomada do fluxo estrangeiro.

Para a Decolar, a capital baiana ocupa posição privilegiada nesse cenário. O Diretor de Produtos em Destino da empresa, Roberto Rizo Patrón afirma que Salvador continua sendo uma referência para quem deseja conhecer o Nordeste. Segundo ele, a cidade mantém forte presença nas buscas realizadas pelos usuários da plataforma e desponta entre os destinos mais procurados para as férias de julho.

“Atualmente, Salvador está entre os destinos com maior crescimento de demanda para o período, com aumento superior a 40% nas buscas em comparação com julho do ano passado”, afirma.

O executivo observa ainda uma mudança no comportamento do consumidor de viagens. A ampliação da parceria entre a Decolar e o iFood trouxe milhões de novos usuários para o ecossistema da empresa, ampliando o potencial de vendas e criando uma nova demanda para hotéis e serviços turísticos. Apenas nos últimos três meses, 55% dos novos clientes da plataforma vieram dessa integração, enquanto os usuários do iFood já representam 18% da receita da companhia.

O movimento tende a beneficiar especialmente destinos consolidados como Salvador, mas também cidades emergentes do interior e do litoral baiano. Para Rizo Patrón, o desafio agora é distribuir melhor os fluxos turísticos e incentivar os viajantes a descobrirem novos roteiros.

Outro dado relevante apresentado durante o encontro reforça a força internacional do destino. A Argentina aparece como principal mercado emissor de turistas latino-americanos para Salvador, seguida pelo Chile. Já quando o assunto é a compra de pacotes completos, incluindo passagens, hospedagem e outros serviços, os chilenos lideram o ranking de contratações para a capital baiana, demonstrando um perfil de visitante que planeja a viagem com antecedência e permanece mais tempo no destino.

 

Enquanto os grandes números apontam crescimento, pequenos empreendedores também percebem os reflexos dessa expansão. É o caso da empresária Daniele Silva, proprietária de um hostel no Rio Vermelho voltado prioritariamente para o público feminino.

Segundo ela, o perfil predominante dos hóspedes é formado por mulheres que viajam sozinhas, muitas vezes pela primeira vez. Um retrato que acompanha uma tendência global de autonomia e protagonismo feminino nas viagens.

“Recebemos muitas mulheres que escolhem Salvador para uma experiência individual. São turistas interessadas em conhecer a cidade com liberdade, segurança e vivenciar a cultura local”, relata.

A localização estratégica do empreendimento, próximo aos principais circuitos culturais e festivos da cidade, influencia diretamente na ocupação. Daniele conta que datas como Carnaval e a Festa de Iemanjá provocam forte aumento na procura, sendo que a celebração de 2 de fevereiro chegou a superar o próprio Carnaval em movimentação de hóspedes.

Apesar das oportunidades, ela ressalta que pequenos negócios ainda enfrentam desafios. Entre eles, a necessidade de tornar o modelo de hospedagem mais conhecido pelo público e manter serviços de qualidade sem elevar excessivamente os preços.

Nesse contexto, a aproximação com plataformas de distribuição turística é vista como uma oportunidade de ampliar visibilidade e competir em condições mais equilibradas com grandes redes hoteleiras.

A percepção é compartilhada pelos organizadores do encontro. Ao reunir gestores públicos, empresários e plataformas digitais, a iniciativa buscou justamente aproximar oferta e demanda em um mercado cada vez mais conectado.

No fundo, os dados apresentados refletem algo que os visitantes já percebem ao desembarcar na cidade. Salvador continua sendo o lugar onde o Brasil encontra a África, onde a história conversa com a modernidade e onde a paisagem parece disputar atenção com a música que ecoa pelas ruas. Mas agora, além de encantar, a cidade aprende a transformar seu patrimônio cultural em desenvolvimento econômico permanente.

E, ao que indicam os números e as projeções do setor, a capital baiana segue ampliando sua condição de principal porta de entrada do Nordeste, recebendo turistas durante todo o ano e consolidando-se como um dos destinos mais completos e desejados do país.

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