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Nova pílula mostra resultado maior que Mounjaro

Orforglipron apresentou resultados superiores à semaglutida – Foto: Agência Brasil

A corrida por alternativas às canetas emagrecedoras ganhou um novo capítulo. A farmacêutica Eli Lilly divulgou dados de seu mais recente medicamento experimental para perda de peso: o orforglipron, uma pílula que pode se tornar uma opção não injetável mais eficaz que o Mounjaro, também produzido pela companhia.

Os primeiros resultados indicam que o comprimido ajudou pacientes a perder entre 6% e 8% do peso corporal — desempenho superior ao da semaglutida oral no mesmo estudo. Apesar do avanço, os testes também apontaram efeitos colaterais que ainda precisam ser analisados com mais profundidade.

Como o novo medicamento funciona

Assim como o Mounjaro, o orforglipron atua nos receptores GLP-1, hormônio responsável por regular a glicose no sangue, estimular a produção de insulina e aumentar a sensação de saciedade ao retardar o esvaziamento gástrico.

A principal diferença está na forma de administração. O orforglipron é uma alternativa totalmente oral e, ao contrário da semaglutida em comprimido, não precisa ser ingerido em jejum.

Outra distinção importante: o medicamento ainda não foi aprovado pelos órgãos reguladores dos Estados Unidos. Atualmente, a semaglutida segue como o único GLP-1 disponível tanto em comprimido quanto em versão injetável no país.

O que mostram os primeiros dados

O estudo Achieve-3, financiado pela Eli Lilly, envolveu mais de 1.500 adultos com diabetes tipo 2 em 131 centros de pesquisa na Argentina, China, Japão México e Estados Unidos.

Durante um ano, os participantes receberam doses de 12 mg ou 36 mg de orforglipron, ou 7 mg e 14 mg de semaglutida oral.

Os resultados mostraram que pacientes que utilizaram 36 mg do novo medicamento perderam, em média, de 6% a 8% do peso corporal. Já aqueles que tomaram semaglutida registraram redução entre 4% e 5%.

No controle glicêmico, o orforglipron também apresentou desempenho superior: redução média de 2,2% nos níveis de açúcar no sangue, contra 1,4% da semaglutida.

Efeitos colaterais acendem alerta

Apesar dos números promissores, os efeitos adversos chamaram atenção. Entre os voluntários que receberam 36 mg de orforglipron, 58% relataram sintomas leves a moderados, como náuseas, diarreia e vômitos.

A taxa de interrupção do tratamento chegou a 10%. No grupo que utilizou 14 mg de semaglutida, os efeitos colaterais foram registrados em 45% dos pacientes, com desistência de 5%.

Também foi observado aumento médio da frequência cardíaca entre os usuários do novo medicamento, reforçando a necessidade de acompanhamento de longo prazo.

Próximos passos

Especialistas avaliam que, se aprovado, o comprimido poderá facilitar transporte e armazenamento, além de potencialmente reduzir custos de produção.

Ainda assim, novos estudos devem ampliar a análise para além de pacientes com diabetes tipo 2, investigando a segurança e eficácia do medicamento em outros perfis.

O avanço é promissor — mas, por enquanto, a nova pílula ainda depende de mais testes antes de chegar às farmácias.

 

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