
Sucatas abandonadas preocupam moradores e mobilizam operação da prefeitura
Foto: Ascom/ Transalvador
Carros, motos e até barcos abandonados em vias públicas têm se tornado parte do cenário urbano em diversos bairros de Salvador. Espalhadas por ruas, calçadas e terrenos abertos, as chamadas sucatas geram transtornos para moradores e levantam alertas relacionados à saúde pública e à segurança.
Além de comprometer a estética da cidade, os veículos abandonados acabam se transformando em pontos de acúmulo de lixo e água parada. A combinação é propícia para a proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue e chikungunya, além de servir de abrigo para roedores e animais peçonhentos.
Para enfrentar o problema, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) realiza a Operação Cidade Dez – Sucata Zero. De acordo com dados do órgão, em 2025 foram registradas 728 notificações. Desse total, 433 sucatas de veículos e bens inservíveis foram removidas pelos próprios proprietários após notificação. Outras 295 foram apreendidas pelo município, totalizando 728 remoções ao longo do ano.
Em 2026, até o dia 24 de fevereiro, a Semop contabilizou 63 notificações. Após o aviso, 30 sucatas foram retiradas pelos donos. Já 14 acabaram apreendidas, somando 54 remoções neste início de ano.
Segundo a secretaria, não há aplicação de multa específica para quem abandona veículos nas ruas. A medida adotada é a remoção. O proprietário tem prazo de até 60 dias para reaver o bem no depósito municipal. Após esse período, o veículo pode ser encaminhado para leilão. Para a retirada, é necessário pagar uma taxa de R$ 1.352,84.
Em bairros residenciais, a presença prolongada das sucatas tem gerado insegurança. O autônomo Carlos Santos, morador de uma área onde um carro estava abandonado há meses, afirma que o problema vai além da aparência.
Ele relata que o veículo virou motivo de preocupação constante. “Quando chove, a gente via a água acumulada dentro do carro. Já encontramos lixo e até rato por perto. A sensação é de abandono”, diz.
A dona de casa Maria Conceição também teme pela segurança. Segundo ela, o carro que estacionado na mesma posição há semanas já foi usado como abrigo improvisado. “À noite, a gente fica com medo. Não sabe quem pode estar usando aquele espaço. Isso traz insegurança para toda a rua”, afirma.
A Semop orienta que moradores denunciem casos de veículos abandonados para que a fiscalização seja acionada. A expectativa do órgão é ampliar as ações da Operação Cidade Dez – Sucata Zero ao longo do ano, com o objetivo de reduzir os impactos causados pelas sucatas e melhorar a organização dos espaços públicos da capital baiana.

