
Permissionários aguardam conclusão de laudo e reabertura do Mercado do Ogunjá
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Durante reunião realizada na tarde desta terça-feira (3), na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE), com a presença de permissionários do Mercado do Ogunjá, foi anunciado que a obra de escoramento emergencial dos pilares do imóvel tem previsão de ser concluída ainda nesta quarta-feira (4). Esta foi a primeira etapa do plano de ação para o restabelecimento do centro de compras, fechado desde a última quinta-feira (29), em razão de problemas estruturais que comprometem a estabilidade da cobertura do imóvel.
Em nota, a SDE informou ainda que após o serviço ser finalizado, uma nova vistoria técnica será realizada no local pelo engenheiro estrutural. A partir dessa avaliação, portanto, será emitido um novo laudo técnico que analisará as condições atuais do prédio e indicará, com base em critérios de segurança, se há possibilidade de reabertura do mercado.
“A medida foi adotada como ação prioritária de segurança, após a Superintendência de Patrimônio (SUPAT), vinculada à Secretaria da Administração (SAEB), determinar a interdição do espaço, em virtude do comprometimento estrutural do imóvel, na noite de quarta-feira (28). A SDE, junto à Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM) e à SUPAT/SAEB, segue atuando de forma integrada na construção de soluções técnicas e operacionais que visem mitigar os impactos decorrentes da interdição do equipamento”, afirmou a pasta estadual.
O fechamento provisório do espaço se deve a problemas estruturais, como: rachaduras em pilares, recalque nas fundações, além de corrosão em estruturas metálicas essenciais para a sustentação do prédio. Outro ponto é a presença de lençol freático muito superficial, que acarreta no acúmulo de água no solo, em períodos de chuva.
Mais de 40 permissionários atuam no mercado, dentre eles, o casal Jacira e Aloisio Monteiro, que há 32 anos trabalha no local. Nas redes sociais, o proprietário da Thyliu’s Sabores publicou um vídeo no qual expressa a sua tristeza diante do decreto, recebido sem aviso prévio, de interdição do mercado.
“A justificativa é de problemas estruturais que colocam em risco a segurança. É verdade que, desde a pandemia, o mercado foi sendo esquecido e abandonado. Mas nós nunca desistimos. Seguimos firmes, trabalhando, buscando dignidade, sustento e melhorias, com esperança de que houvesse um olhar mais humano para quem faz esse mercado existir. É doloroso ser surpreendido assim, de forma repentina, sem diálogo, sem planejamento, sem alternativas. O Ogunjá é mais do que um espaço físico, é história, é cultura, é resistência, é vida de muitas famílias”, afirmou o permissionário.
Segundo Jacira Monteiro, a expectativa é de que, nesta quarta-feira (4), haja uma resposta positiva e que os trabalhadores possam retornar aos seus postos. “A gente nunca foi informado de que o mercado tem esse perigo. Começaram as obras da polícia, levaram quase dois anos fazendo, e não mexeram um prego dentro do mercado”, revelou.
A comerciante conta que estava na cozinha, preparando vários pratos, como mocotó e rabada, quando foi informada que o mercado não abriria no dia seguinte. “A gente não trabalhou nem sexta, nem sábado, porque a gente não trabalha domingo, nem segunda, nem hoje. A comida que a gente fez ficou lá, a gente teve que guardar tudo, congelar, porque não tinha como fazer. O pessoal do hortifruti começou a vender na frente, que podia vender; a gente não, que só tinha acesso para tirar alguma coisa lá de dentro, e não tinha como ficar. E a gente está praticamente no prejuízo, se conseguir trabalhar e arcar com as nossas dívidas”, revelou.

