Polícia

Pintores corporais denunciam perseguição da PM no Pelourinho: ‘Tomaram tinta e pincel’

Crédito: Reprodução Correios

Quase dois meses depois da prisão de quatro homens que se intitularam pintores corporais para coagir turistas mexicanos e extorquir mais de R$ 300 deles na Barra, os verdadeiros artistas da pintura denunciam estar sendo impedidos de trabalhar por policiais do Batalhão Especializado de Policiamento Turístico (BPtur) no Centro Histórico de Salvador.

Segundo um dos pintores corporais que trabalha e mora no Pelourinho, as abordagens acontecem há algumas semanas, mas se intensificaram na última terça (8). “Eles abordaram a gente e alegaram que estava proibida a atividade de pintura e que era para a gente fazer outra coisa, como vender água, porque senão a gente ia ser conduzido por extorsão”, detalhou o homem que preferiu não se identificar por medo de represálias.

“Alguns policiais estavam xingando alguns pintores, falaram que eram marginais, vagabundos e perseguiram alguns colegas, tomaram a tinta e o pincel de um colega meu”, relatou outra trabalhadora do ramo que estava no local e também pediu para não ter o nome revelado.

Outro pintor, também em anonimato, disse que foi obrigado pelos policiais a deletar os vídeos que gravou da ação. “Eu comecei a filmar e eles vieram até mim e disseram ‘apague, que você não tem direito de fazer imagens da gente, não’. Aí ele apagou o vídeo”, contou.

Os trabalhadores argumentam que estão sendo perseguidos pela polícia por conta da falta de atualização do cadastramento para atuar no ofício pela Secretaria de Ordem Pública (Semop) e que o assédio aumentou depois que o tenente-coronel Gabriel Neto assumiu o 18º Batalhão da Polícia Militar no Centro Histórico, em junho de 2024.

“Ele está encurralando os pintores devido à falta de crachá. Inclusive, eles falaram que era para a gente ter a nossa associação”, denunciou a mulher. Ela acrescentou que mesmo após o cadastro na Associação dos Trabalhadores Autônomos Microempreendedores e Empresários Individuais do Brasil (Atmei), localizada no Campo da Pólvora, a perseguição teria continuado.

A Semop disse à reportagem que em novembro de 2024 houve nova convocação para recadastramento dos profissionais e prorrogação do prazo e que no mês seguinte, se reuniu novamente com o grupo para formar um consenso sobre a cobrança pelos serviços. O órgão também afirmou que não conhece esse caso em específico e por isso não tem como avaliar a pendência.

Em nota, a Polícia Militar informou que não registrou nenhuma denúncia sobre perseguição a pintores credenciados no Centro Histórico. A corporação também afirmou que o Batalhão Especializado de Policiamento Turístico (Beptur) “vem intensificando ações preventivas na região, com foco no combate a práticas ilícitas, como a extorsão praticada por falsos pintores”.

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